Melhor prevenir do que remediar?! Por que a Cemig Saúde encerrou o PGC?

Além de promover os cortes nos reembolsos do teto (PGE), conforme noticiado pela ABCF, a Cemig Saúde também encerrou o Programa de Gerenciamento de Condições Crônicas (PGC). Chama atenção pelo fato de o PGC ser sempre apresentado como sucesso no controle da saúde e promover o bem-estar dos pacientes e seus familiares, e também por apresentar importante retorno financeiro.

Em junho de 2018, a Cemig Saúde publicou uma matéria comemorando o sucesso e mostrando a importância do programa, que atendia 3.630 beneficiários, sendo 1.688 de BH e 1.942 em 24 cidades do interior.

Como funcionava o Programa de Gerenciamento de Condições Crônicas

O objetivo do PGC era prevenir ou retardar a ocorrência de complicações ou sequelas; melhorar a qualidade de vida e saúde por meio do uso adequado dos remédios, do controle dos fatores de risco e da mudança dos hábitos de vida; promover a estabilidade clínica mediante suporte clínico e assistencial; além de otimizar e racionalizar o uso dos recursos do PSI.

Baseado no histórico de saúde, eram identificados os beneficiários portadores de condições crônicas gerenciáveis tais como diabetes mellitus, insuficiência cardíaca congestiva, doença pulmonar obstrutiva crônica (asma, bronquite, enfisema), insuficiência coronariana e hipertensão arterial sistêmica.

Então era elaborado um plano de acompanhamento de acordo com a complexidade do paciente, com visitas domiciliares de profissionais de saúde como enfermeiros e nutricionistas, orientação por telefone, central médica disponível 24 horas por dia e atendimento de urgência em domicílio por médico ou enfermeiro.

Programa economizava 30% das despesas com crises e internações

Os participantes do PGC tinham um teto extra para cobertura de 80% do valor dos medicamentos indicados para doenças crônicas monitoradas. Também eram reembolsados glicosímetro e fitas de glicemia, aparelho de pico de fluxo e aparelho digital para monitoramento de pressão arterial e remoção em ambulância UTI, em casos de urgência e emergência.

O PGC era monitorado comparando as despesas do beneficiário seis meses antes da adesão e seis meses depois. Conforme as últimas apresentações que a ABCF teve acesso, o programa apresentava um TIR de 1,71 com a redução de 30% das despesas (crises e internações, principalmente).

O que diz a Cemig Saúde?

A operadora diz que o Conexão Saúde, clínica em frente à sede da Cemig, absorverá o programa e outras unidades serão abertas na região metropolitana e no interior.

Difícil acreditar, mas mesmo se este for o planejamento, por que não manter o PGC, que é superavitário e importante para os beneficiários, até que de fato o Conexão assuma as tarefas?

ABCF pergunta

Mais uma vez constatamos a falta transparência nas decisões da Cemig Saúde.

  • Por que acabar com o PGC que apresentava bons resultados e retorno financeiro para o plano?
  • Como fica o acompanhamento das 3.630 pessoas beneficiadas pelo PGC? Ficaram apenas com atendimento telefônico?
  • Quais as justificativas para os cortes?
  • Por que não apresentam os estudos técnicos?
  • Qual a prioridade de abrir uma nova clínica a apenas 750 metros da primeira enquanto existem dificuldades no atendimento em várias regiões do estado?
  • Onde estão os representantes eleitos que não explicam nada?

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