Empregados e empregadores 

  • ABCF
  • 24 de junho de 2019

Mais do que um bom salário, oportunidades de treinamento e benefícios, como vale-refeição, auxílio-transporte e auxílio-educação, os brasileiros querem estabilidade no trabalho. Acima de tudo, esperam uma gestão eficiente de seus superiores hierárquicos e solidez financeira nas empresas em que atuam. Esta é a conclusão de uma pesquisa sobre como os empregadores são vistos no Brasil, promovida pela Randstad, uma firma holandesa de assessoria em matéria de formação de capital humano e trabalho flexível.

O trabalho foi realizado em 32 países e, no Brasil, foram ouvidos 4.073 estudantes e profissionais – empregados e desempregados – com idade entre 18 e 65 anos, a maioria residente na Região Sudeste. O objetivo foi identificar o que atrai e o que desestimula as diferentes gerações na relação com seus empregadores. Os resultados do levantamento serão utilizados por empresas de distinto porte para melhorar ou reforçar sua imagem corporativa e suas marcas. Eles também fornecem subsídios para a formulação de programas destinados a melhorar o ambiente do trabalho. Na lista das empresas mais citadas pelos entrevistados brasileiros, as cinco primeiras são multinacionais – três americanas, uma suíça e outra sul-coreana.

As entrevistas mostraram o impacto que a recessão da economia brasileira causou nas diferentes faixas etárias da população. Antes da crise, as startups, com seus métodos mais flexíveis de trabalho e poucos níveis hierárquicos, tinham um enorme poder de atração sobre jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos. Eles imaginavam que, caso as startups não dessem certo, eles não enfrentariam dificuldades para conseguir uma boa colocação em empresas de médio e grande portes. Depois que a crise econômica atingiu o País, esses jovens optaram por buscar emprego basicamente em multinacionais. Segundo a pesquisa, as startups somente voltarão a atraí-los se e quando a economia voltar a crescer.

O emprego numa empresa multinacional é o desejo não apenas dos jovens, mas, também, das gerações mais velhas. Cerca de 25% dos entrevistados de diferentes faixas etárias afirmaram que abririam mão de até 10% do salário para ter mais segurança no emprego. E, segundo o levantamento da Randstad, as multinacionais passam duas imagens positivas: a de solidez financeira e a de respeitar o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional de seus funcionários.
A geração com idade entre 25 e 34 anos, além disso, prioriza o trabalho em empresas bem localizadas, com fácil acesso por transporte público. Já a geração na faixa etária entre 35 e 54 anos valoriza os empregadores que oferecem regimes mais flexíveis de trabalho. E na geração seguinte, com idade entre 55 e 64 anos, quase 60% dos entrevistados dão valor às empresas que lhes permitem ascender na carreira e progredir profissionalmente, apesar da idade.

Em todas as faixas etárias, o denominador comum é a preocupação dos entrevistados com a reputação dos empregadores. Ela é avaliada a partir dos sites das empresas, dos portais de emprego, da opinião de amigos e do que é postado nas redes sociais, especialmente no Facebook e no LinkedIn. Segundo a pesquisa, os principais motivos de funcionários com idade entre 18 e 34 anos para deixar uma empresa são a remuneração baixa, a ausência de possibilidades de ascensão profissional e a falta de reconhecimento e de recompensas. Na geração de 55 a 64 anos, 28% dos entrevistados afirmaram que deixariam o emprego para criar um negócio próprio.

O estudo deixa uma conclusão inequívoca: a estabilidade no trabalho que a população brasileira almeja somente será possível se os empregadores readquirem confiança no crescimento da economia e se tiverem segurança para investir. E isso depende da agilização na tramitação de reformas estruturais, como a reforma previdenciária, de eficácia administrativa e coerência programática do Poder Executivo e de certeza jurídica assegurada pelo Judiciário, garantindo o respeito à lei.

Fonte: Agência Estado