Falta de planejamento afeta aposentadoria do brasileiro


O brasileiro não planeja a aposentadoria. Essa foi a constatação de uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indica que oito em cada 10 brasileiros (78%) admitem que não estão se preparando para a hora de se aposentar. Apenas 19% dos não-aposentados entrevistados afirmara que têm se preparado para ter um futuro mais tranquilo. Segundo os especialistas, o principal motivo para este alto índice é a questão cultural de não criar o hábito de se programar financeiramente a longo prazo. 

A educação financeira no Brasil atinge uma pequena parte da população, afirma Erick Herbert Thau, diretor da Técnica Finance Advisory e sócio da Salix Group Investimento e Participações e da Franqueadora ByeByePaper. “Diante disso, a população sofre com a falta de planejamento e, por muitas vezes, chega à sua aposentadoria, apenas com um salário insuficiente para se ter uma vida digna. É essencial saber que as decisões de consumo que tomamos impacta diretamente a nossa vida no futuro. A regra parece simples, ou seja, gastar apenas o que se recebe, mas a questão se torna muito mais complexa, quando falamos que se existe a necessidade de poupar recursos e investi-lo de forma correta, para que no futuro, esses recursos sejam uma fonte de renda para uma pessoa que já não produz e não gera renda, como antigamente”, analisa. 

Para o especialista em planejamento de aposentadoria, Thiago Luchin, sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, os dados da pesquisa confirmam que, culturalmente, o brasileiro deixa para resolver seus assuntos financeiros na última hora. “Infelizmente, quando falamos em aposentadoria esta atitude pode trazer prejuízos financeiros que muitas vezes podem ser irreversíveis. O ideal é que as pessoas comecem a pensar na aposentadoria o mais cedo possível”, alerta. 

Ainda de acordo com o estudo do SPC, entre os que não se preparam para a aposentadoria, 47% afirmam que não sobra dinheiro no orçamento e 22% que estão desempregados. Outros 19% já começaram a guardar dinheiro com esse objetivo, porém não conseguiram continuar devido a problemas financeiros e 15% têm outros planos e prioridades. 

Já entre os que começaram a se preparar, mas pararam de guardar dinheiro, os principais motivos foram os problemas financeiros (36%), desemprego (35%) e imprevistos pessoais e/ou familiares (29%). Entre estes entrevistados, 22% ainda têm o dinheiro, enquanto 77% já não têm mais - o dinheiro foi utilizado principalmente para pagamento de dívidas (52%), tratamento de saúde (17%) e compras (13%). A maioria dos que pararam de guardar dinheiro para a aposentadoria pretende voltar (92%), no entanto, 52% ainda não tem uma data definida para isso. 

Thiago Luchin recomenda que, apesar das dificuldades, o brasileiro “não desista de uma aposentadoria por conta do tempo que falta. O tempo vai passar de qualquer forma”.
Já o economista orienta poupar recursos todo o mês, desde o seu primeiro emprego. “Não apenas para a aposentadoria, mas no caso da pessoa perder emprego essa família deve ter um “colchão”, uma “reserva” para sobreviver por alguns meses - estimamos, no mínimo, 6 meses -, até que consiga ter um novo emprego. A principal dica está em dividir os gastos em essenciais (alimentação, saúde, escola, etc.) e supérfluos (lazer, automóveis, etc.) e ter o objetivo de poupar 20% de sua renda familiar todo mês”. 

INSS
A contribuição mensal para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é fundamental para que o cidadão tenha acesso aos benefícios previdenciários, inclusive a aposentadoria. Os especialistas recomendam que o trabalhador, mesmo o informal, não deixe de contribuir para o sistema previdenciário. 

De acordo com Luchin, é importante que o cidadão esteja vinculado ao sistema previdenciário, ou seja, que contribua com a Previdência Social. “Este é o primeiro passo. Esse conselho serve não só para os jovens que entram no mercado de trabalho, mas também para as pessoas de mais idade que, muitas vezes, deixaram de recolher por algum motivo e precisam recolher para ter direito ao benefício da aposentadoria seja ela por idade ou por tempo de contribuição. Até mesmo as donas de casa podem se aposentar, mas para isso é necessário contribuir”, afirma. 

O segundo passo, de acordo com Thiago Luchin, é saber quanto pagar. “Isto porque muitos pagam um valor maior achando que vão se aposentar melhor e, por desconhecerem a legislação e os redutores acabam aposentando com um valor a quem do esperado. Por esta razão, é fundamental que o segurado faça um planejamento de aposentadoria. Assim, saberá exatamente quanto deve pagar e qual o momento para se aposentar buscando o benefício mais vantajoso”, orienta. 

Reforma
Outro fator que alerta o brasileiro para a necessidade de um planejamento para a aposentadoria é a discussão criada pela reforma da Previdência. A proposta da equipe econômica do presidente Michel Temer era de estipular uma idade mínima – 65 anos para homens e 62 para as mulheres – para dar entrada no pedido de aposentadoria, além de um tempo mínimo de 15 anos de contribuição para o INSS. E apesar de não ter sido aprovada pelo Congresso Nacional, a possibilidade de regras mais rígidas acelerou o processo de aposentadoria de milhares de brasileiros. 

O advogado Ruslan Stuchi, sócio do escritório Stuchi Advogados, ressalta que a reforma da previdência era matéria pautada pelo atual governo, mas não deve ser retomada num futuro breve. 

“Assim, os brasileiros terão tempo para respirar, sendo que não há uma data para votação da reforma.  Em pequena síntese, o Brasil não precisa da reforma da Previdência nos pontos em que o governo está atacando, quais sejam: aumento da idade e consequentemente o tempo de contribuição. Tal alegação da reforma vem com base em altos gastos do governo com o pagamento de benefícios, ocorre que estes números são "maquiados", pois a Previdência, além da receita direta com contribuições, tem impostos como fonte de custeio que assegura de forma consistente o pagamento dos beneficiários”, afirma. 

Thiago Luchin informa que, com medo dos efeitos da possível alteração das regras previdenciárias, muitos brasileiros se precipitaram e correram para as agências do INSS para garantir um benefício. 

“Infelizmente, uma aposentadoria pedida de forma errada e sem o auxílio correto, causa prejuízos financeiros. Por esta razão, mesmo diante de um cenário de mudanças a recomendação é cautela. 

Acredito que uma reforma é necessária, contudo, com discussão, sem terrorismo, e com lei justas que não retirem direitos sociais. Os principais pontos para serem discutidos correspondem as dívidas das maiores empresas do país com o INSS e a DRU, que permite que o Governo utilize o dinheiro da Previdência para outros fins”, analisa.
Outros investimentos
Para o economista Erik Thau, no cenário atual e futuro, a recomendação é, cada vez menos, o brasileiro dependa do Governo para planejar sua aposentadoria. “O melhor caminho para desfrutar de uma aposentadoria saudável é poupar. O segundo item é como esse recurso poupado deverá ser aplicado, para gerar rendimentos que possam gerar uma renda extra na aposentadoria. Neste sentido, a recomendação é pelo perfil da pessoa e pelo seu conhecimento (educação financeira). São diversos produtos, como a poupança, que é o instrumento mais popular, mas que possui uma rentabilidade inferior a outras modalidades de investimento”, recomenda. Ruslan Stuchi, reforça que o brasileiro deve investir em um aporte complementar ao benefício mensal do INSS. “Observamos, que nos últimos anos, a correção aplicada dos benefícios do INSS está muito aquém da inflação. Assim, o beneficiário não tem recomposição do seu poder de compra, passando por dificuldades financeiras no momento que mais precisa. Além disso, o INSS tem um teto de pagamento de benefício. Assim, o ideal é que a pessoa realize um aporte complementar, por meio de uma previdência privada, por exemplo que auxiliará a suprir eventual necessidade futura”, pontua. 

O economista também defende que a previdência privada é importante, apesar de ter rentabilidade inferior a outras modalidades de investimentos mais complexos. “No entanto, para um perfil de uma pessoa que não conhece de mercado financeiro, talvez seja o melhor caminho. E para quem é conhecedor do mercado financeiro, os fundos de investimento de renda fixa, dos mais variados tipos, pode ser o melhor caminho, por possuir rendimentos melhores que a poupança e a previdência privada. No entanto, é necessário fazer um acompanhamento mais de perto dessa aplicação”, conclui. 

Fonte: PrevTotal


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