Entrevista sobre planejamento financeiro, com o administrador, Assis Mauro Avelar Viana

A entrevista desta semana será sobre planejamento financeiro. Assis Mauro Avelar Viana, graduado em Administração de Empresas e com mais de 28 anos de experiência nos setor financeiro, securitário, Previdência Complementar e Automobilístico em empresas nacionais e internacionais, lideres em seu segmento, vai falar sobre esse assunto. Ele é, também, professor convidado da PUC Minas - Instituto Ideias nos cursos de MBA; professor convidado da UFRJ – Instituto Ideias, professor da UNA/UNATEC (Grupo Anima Educação) na graduação, MBA e pós-graduação, acumulando 16 anos de experiência como docente no ensino universitário.

Quais os princípios básicos de um planejamento financeiro?
Assis - I - Receita – despesas = Aplicar / Pedir emprestado (endividar).
Aplicar significa que você recebe juros – procure ficar deste lado.
Endividar significa que você paga juros – Procure fugir deste lado.
OBS.: fazer um empréstimo pode até ser necessário se você tem um propósito bem definido e de preferência para algo que aumenta sua receita.
II – Use os ganhos de seu trabalho, é uma forma de enriquecer no longo prazo.
III – Às vezes a grande questão é como saber lidar melhor com o seu dinheiro e não propriamente só ganhar mais.
IV – Adote bons hábitos financeiros, ensine isso aos seus filhos desde bem cedo, não gaste mais do que ganha, não faça dividas que você não tem capacidade de pagar.
V – Procure aplicações mais dinâmicas.
VI – Cuidado com os gastos, enxugue despesas e compras, tenha foco no que é realmente necessário.
VII – Se for ter dívidas, tenhas dívidas mais prudentes.
IMPORTANTE: Seus recursos se multiplicam dependendo do destino que você dá a ele. Quando seus filhos aprendem, por exemplo, esses hábitos relativamente simples eles terão um jeito bem diferente de lidar com o dinheiro no futuro e no PRESENTE.

Por que o brasileiro, em geral,  tem tanta dificuldade para lidar com planejamento financeiro?
Assis - Vivemos em um país que passou e ainda passa por sobressaltos e crises econômicas sérias, nos últimos tempos. Desde 1986, passamos por 6 planos econômicos, hiperinflação e estagnação econômica. Quando a economia melhora, o brasileiro vai para o consumo, sem pensar nas consequências, até porque, temos muitas necessidades, ainda não atendidas, por produtos e serviços diversos. Podemos dizer, claro que com uma pequena melhora, ainda estamos na base da pirâmide de Maslow.

Por que quando listamos todos os nossos gastos do dia a dia, levamos um susto? De fato, é mais fácil economizar e controlar quando todos os números estão em planilha?
Assis - Porque não estamos acostumados a fazer isso no nosso dia a dia. Prestamos atenção nas grandes contas e as ditas “pequenas bobagens” do cotidiano não entram nos nossos custos, como por exemplo: cafezinho, pão de queijo, suco, refrigerante, café com leite, salgadinhos diversos, balas, bombons, sorvete, táxi, Uber... e demais outras pequenas coisinhas do dia a dia. Outros ainda não contabilizam o almoço fora todos os dias, roupas, gastos diversos na farmácia/drogaria, ração do pet, brinquedinhos do pet, roupinhas do pet e assim vai um incontável número de gastos não contabilizados/planilhados. Quando conseguimos controlar todos esses números em uma planilha, com gráficos, com certeza fica muito mais fácil de controlar os gastos e de poupar recursos em valor bastante interessante.
OBS.: Deve-se estar atento que as primeiras vezes que começamos a fazer esses controles, tomar nota de tudo, sentimos uma dificuldade enorme, para alguns, porque estamos lidando com hábitos muito arraigados e desfaze-los toma um certo tempo. É necessário muita persistência e foco, a recompensa é ver o seu dinheiro começar a render.

Quais são as melhores formas de investir/economizar para que o dinheiro renda mais?
Assis - Procurar aplicações mais dinâmicas com bom custo/benefício/risco, dependendo do seu perfil de aplicador, se mais conservador ou mais arrojado.

Na sua opinião, quando o brasileiro deve começar a  pensar em sua aposentadoria?
Assis - Acredito que deve começar a se programar para aposentadoria desde o momento que tem seu primeiro trabalho, sua primeira renda e não mais parar. Leva-se em consideração que, quanto mais cedo mais recursos acumulados, melhor a aposentadoria. Você pode determinar o quanto vai poupar para esse fim e construir um hábito, uma disciplina de separar esse recurso como um objetivo de longo prazo e com propósito específico.

Qual a importância das privatizações em alguns setores, como em aeroportos, e até onde essa política deve avançar no País?
Assis - As privatizações, na minha opinião, são sempre bem vindas, dá mais dinamismo para a economia. Acredito que o Estado deve priorizar seus investimentos e em larga escala em: Educação/Pesquisa, Saúde, Previdência, Infraestrutura a disposição da população e indústria/serviços (portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias, rodovias, transporte púbico de qualidade, saneamento básico, fomento industrial e de serviços, fomento a pequena empresa, são alguns exemplos), Defesa (Marinha, Exército, Aeronáutica e forças complementares para salvaguardar as fronteiras, controle de imigração, combate ao tráfico de drogas e armas).

Você também é professor de pós-graduação. Na sua opinião, o Brasil gasta pouco em educação ou gasta mal? Existe grande relação  desta pergunta com a educação financeira e previdenciária do brasileiro? 
Assis - Para dizer a verdade mesmo, o Brasil não gasta NADA em educação e pesquisa, quando gasta, gasta muitíssimo mal os recursos. Nossa verba para educação e pesquisa, aparelhamento tecnológico de ponta das universidades federais são uma catástrofe, uma vergonha para uma nação que quer crescer, ser respeitada e ser geradora de oportunidades para seus cidadãos. Deve-se levar em conta, também, a corrupção que continua a campear solta Brasil a fora e as verbas da educação não estão imunes. Sim, existe uma forte ligação entre a educação de um modo geral e a educação financeira e previdenciária em nosso país.

O governo comemora a baixa inflação e a interrupção de altas  taxas de desemprego como indicadores de que a economia se recupera. Entretanto, a população reclama e não percebe a abertura de vagas de emprego. Quando vamos sentir que o País saiu desse "buraco"?
Assis - Não quero ser um pessimista mas, antes de mais nada, realista. Sair do “buraco” é para mais uns 4 ou 5 anos. Sair do “buraco” não quer dizer que haverá grande crescimento econômico, que as vagas de trabalho na indústria e nos serviços acontecerão com rapidez, significa que depois deste tempo teremos uma chance bastante aumentada, se tudo correr bem, do país voltar aos trilhos.
Também não acredito que o uso indiscriminado do ideário liberalista seja a única solução para nosso país, uma combinação de fatores será necessária e dentre estes a participação do Estado como investidor e fomentador de algumas áreas, como a infraestrutura, será fundamental. Várias outras coisas poderiam ser citadas aqui como a política fiscal, cambial e monetária, mas tomaríamos tempo enorme  discutindo sobre diversos conceitos que são interdependentes, um não “performa” sem o outro.

Você acha que a reforma da Previdência é inadiável?
Assis - Penso e acredito que a reforma da previdência é necessária e precisa ser realizada em algum tempo, claro que o quanto antes melhor, isso porque se ela (a reforma) não acontecer teremos, em um futuro próximo, um grande comprometimento das contas públicas – aumento considerável da longevidade, perda do bônus demográfico existente por se só já são bastante relevantes.
Mas para que isso aconteça teremos que refletir sobre alguns aspectos, ao meu ver, muito importantes:
. A aposentadoria de senadores, deputados, presidentes, juízes, militares e de todos outros funcionários públicos, de todos os outros escalões do governo, eu digo – todos mesmo – deve continuar como está? Sem nenhuma contribuição previdenciária e salario integral vitalício na aposentadoria ou 92% do salário da ativa? Isso gera impactos fortes nas contas previdenciárias do país.

. O que fazer com os devedores da previdência social, que sonegam uma soma enorme de recursos? Anistia-los como temos visto? Ou cobrar cada centavo? Isso tem e terá impactos nas contas da previdência.
. Controlar a aposentadoria por invalidez.

. As pensões por morte devem continuar em 100% para o cônjuge? Existem outras formas de tratar esse assunto com a devida justiça? Penso que sim. Isso também afeta as contas públicas.

. Idade mínima.

. Teto máximo geral.

. Tempo mínimo de contribuição.

. Reavaliar o sistema de repartição simples?

Com se percebe, temos muito a pensar sobre esse tema tão polêmico e de vital importância para todos nós.



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