Cláudia Ricaldoni é vice-presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão – Anapar. Nesta entrevista, ela fala sobre a Associação, o novo cenário e suas mudanças e também da Forluz.

O que é a Anapar e qual seu papel?
Cláudia - A Anapar, criada em 2001, é uma entidade, que tem o objetivo de proteger os interesses e direitos dos participantes ativos e assistidos dos planos de previdência complementar. Para cumprir esse papel, estamos organizados em todos os estados da federação, também contamos com assessoria jurídica e técnica, além de representar os participantes no Conselho Nacional de Previdência Complementar - CNPC e na Câmara de Recursos da Previdência Complementar - CRPC. A Associação também auxilia na formação dos participantes, militantes em previdência e de dirigentes eleitos das entidades de previdência.

Qual é o posicionamento da Anapar nesse cenário de mudanças?
Cláudia - Vemos o atual cenário com muita preocupação, pois mais do que em qualquer momento recente de nossa história, estamos ameaçados por perdas de direitos de forma geral e, em especial, em relação à previdência pública e complementar. 

Em relação às mudanças no cenário da previdência social e complementar, o que é importante que o associado fique de olho?
Cláudia - 
Em relação à previdência pública, está claro o objetivo de reduzir a cobertura previdenciária e de seguridade social. Em relação à previdência complementar, assistimos a um acelerado processo de financeirização dos planos de previdência que estão perdendo a visão previdenciária. O segundo passo é permitir que os bancos e segurados passem a substituir a previdência pública, bem como transferir a gestão dos fundos de pensão para aquelas entidades. Neste momento, informação de qualidade é nossa principal arma. No site da Anapar e de diversas entidades representativas de participantes podem ser encontrados artigos e estudos que tem o objetivo de fornecer tais informações, alertando para os perigos que todos estamos correndo.   

Na sua opinião, como a reforma da previdência (social e complementar fechada)  irá afetar as pessoas?
Cláudia - Se a reforma da previdência passar, haverá uma brutal retirada de direitos, penalizando de forma acentuada a maioria da população brasileira. Todo sistema previdenciário deve sofrer ajustes, buscando preservar os objetivos de proteção e seguridade que são os pilares do sistema. A proposta da reforma vai em sentido oposto a isto, apesar de toda a propaganda oficial. Já está mais que provado que não existe nenhum déficit da previdência e está também ficando cada vez mais claro que  o objetivo da reforma é atender às demandas do mercado financeiro. 

Qual a sua expectativa com relação à Forluz diante das possíveis mudanças?
Cláudia - Nosso maior receio é em relação à Previc que deveria ser o órgão de proteção dos participantes, mas que neste momento está agindo para enfraquecer nosso contrato previdenciário. A Forluz não está imune à essa conjuntura e acredito que a manutenção de nossos direitos passa pelo fortalecimento das entidades de representação (associações e sindicatos) e da unidade da categoria.

Sobre a previdência complementar, qual é a melhor opção: fundos de pensão ou bancos?
Cláudia - Para responder a essa pergunta temos que  entender como funciona um e outro sistema: a previdência fechada não tem fins lucrativos e os participantes têm direito a representação nos conselhos fiscal e deliberativo e também podem ter representação nas diretorias. Bancos e seguradoras oferecem produtos para obterem lucros e a gestão é toda feita por eles sem nenhuma possibilidade de interferência dos participantes. Pelos estudos que temos desenvolvido e que estão disponíveis no site da Anapar, os benefícios oferecidos pelos bancos podem ser até 60% menores dos que os oferecidos pela previdência fechada.





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