Cidade Administrativa à venda? A Forluz pode ser uma das compradoras? Entenda

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), disse nesta sexta, 3 de março, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que pretende vender a Cidade Administrativa, prédio que abriga a maioria dos órgãos do governo do estado. Segundo Pimentel, o prédio está avaliado em R$ 2 bilhões. O curioso é que ele já declarou até quem pode compra-la: os fundos de pensão. Como seria isso? A ABCF (Associação dos Beneficiários da Cemig Saúde e Forluz) explica.

Curta nossa página no Facebook

Em primeiro lugar, os fundos de pensão estão entre as poucas instituições no Brasil hoje, além dos bancos, capazes de fazer investimentos desta monta. Os fundos de pensão são instituições de previdência privada fechada, ou seja, constituídas por e voltadas para o pagamento de complementação de aposentadorias de trabalhadores de determinada empresa ou grupo de empresas. Grandes empresas privadas, estatais e bancos têm fundos de pensão.

Fundos de pensão realmente compram imóveis para pagar, com a receita imediata do aluguel e futura com a venda do imóvel, os benefícios de aposentados e pensionistas. Eles têm que fazer investimentos rentáveis para fazer frente aos pagamentos futuros. Assim, um fundo de pensão pode ganhar com aluguel no presente, mas no futuro deve vender esse imóvel para ter liquidez e pagar os benefícios. Além disso, é bom ressaltar que os investimentos devem ser equilibrados. Por exemplo: parte deve ser investida em títulos, ações e imóveis. Cada uma delas tem um limite. Um fundo não pode colocar todo o dinheiro em ações, títulos ou imóveis. Seria muito arriscado colocar todos os ovos na mesma cesta. Além disso, a legislação impõe um limite para investimentos em imóveis, por exemplo.

Dito isso, a ideia de que apenas um fundo de pensão possa se interessar em comprar a Cidade Administrativa por R$ 2 bilhões, um valor alto para qualquer fundo brasileiro, é remota. Por isso, pode ser que a ideia seja vender para um grupo de fundos de pensão, por exemplo, através de um fundo. Assim como foi feito no caso do hospital Lifecenter. Ainda que Pimentel tenha dito que o governo alugaria o próprio imóvel do comprador, é arriscado. Vejamos por quê.

Vamos supor que o governo faça um contrato de 20 anos de aluguel para o comprador. Pode parecer muito, mas para previdência privada isso é pouco tempo. Digamos que isso gere um bom dinheiro para o comprador. Ainda assim, no final do contrato, este imóvel deverá ser vendido, conforme dissemos acima, para realizar o lucro, pagar aposentadorias e ‘limpar’ a carteira de imóveis do fundo. Quem vai comprar um imóvel mal localizado, enorme e com custo de manutenção nas alturas?

Curta nossa página no Facebook

Quem não conhece a Cidade Administrativa (CAMG) não tem ideia da encrenca bilionária que Aécio Neves e sua megalomania meteu os cidadãos mineiros. A CAMG, como é carinhosamente conhecida, é um monstrengo.

Para quem não conhece, a Cidade Administrativa é gigantesca. Não dá pra fazer um shopping lá, ela tem o pé direito baixo. Universidade? Cabem algumas lá dentro. Talvez derrubar os prédios e fazer um jokey club seria uma boa... opa!

Quais seriam os fundos de pensão interessados?

A fala de Pimentel dá a entender que ele já teria tido uma conversa prévia com algum ou alguns fundos de pensão para viabilizar a venda da CAMG. Os únicos fundos sobre os quais Pimentel tem alguma influência política são Libertas (Copasa, Prodemge, Codemig, Cohab, MGS etc.) e Forluz (Cemig, Taesa, Gasmig e outras). O patrimônio da Libertas de 2,6 bilhões, não é suficiente para cobrir esse valor devido aos limites impostos pela legislação. Restaria, portanto, a Forluz, que tem um patrimônio total de R$ 14 bilhões.

Curta nossa página no Facebook

Três problemas que devem ser analisados: a carteira de imóveis da Forluz está ‘desenquadrada’, ou seja, está acima do permitido pela legislação. Ou seja, a Forluz, no momento, tem que vender imóveis e não pode mais comprar. Outro problema é que a Forluz está com seu dinheiro investido e não dispõe de R$ 2 bilhões, livres, para investir de imediato. Mesmo que tivesse, não poderia colocar 15% de todo seu patrimônio num único investimento. A venda, para o governo do estado, só teria sentido se for à vista, para que pudesse utilizar esse dinheiro para cobrir o rombo das contas públicas. O terceiro problema é que o governo do estado é reconhecidamente um mau pagador. Um investimento deste vulto, mesmo com contrato de aluguel garantido por 10 ou 20 anos, só tem sentido se os valores fossem pagos em dia.

Conclusões

A possibilidade de apenas um fundo de pensão pagar R$ 2 bilhões pela CAMG é remota, à exceção dos maiores como Previ e Petros. Um pool de fundos teria que se formar para fazer frente a este investimento. O único fundo com patrimônio para a compra, e que está sob influência política do governador, é a Forluz.


Aguardemos os próximos acontecimentos, mas fiquemos atentos, pois já nos empurraram goela abaixo o Lifecenter e a Usina Santo Antônio, ambos por pressão dos governos anteriores.



Curta nossa página no Facebook
Compartilhe Google Plus

Sobre Portal ABCF

Site da Associação dos Beneficiários da Cemig Saúde e Forluz. Previdência complementar, fundo de pensão, educação financeira e plano de saúde.
    Comentários Gmail
    Comentários Facebook

0 comentários :

Postar um comentário