Funcef estuda vender suas ações da Vale; participantes querem plebiscito

Os déficits acumulados nos últimos cinco anos tem levado a direção da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) a discutir a venda na participação na Vale, usina de Belo Monte e na Odebrecht Utilities. Os participantes da Funcef, entretanto, querem um plebiscito para decidir pela venda ou não das ações.

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A estimativa, segundo algumas fontes próximas ao fundo, é de que o ano de 2016 tenha registrado perdas ao redor de R$ 3 bilhões, o que elevaria o déficit acumulado, desde 2012, para cerca de R$ 18 bilhões.

Sobre as possíveis vendas de ativos, principalmente a da participação na Vale, o presidente da Funcef, Carlos Vieira, é cauteloso. Afirma que nenhuma decisão foi tomada e ressalta o caráter sigiloso de algumas transações. A possibilidade da venda da participação na Vale, no entanto, passou a ser discutida em função de um evento previsto para este ano: a renegociação do acordo de acionistas da Valepar, a holding que controla a empresa. 

Segundo algumas fontes, a partir dessa renegociação, é possível abrir caminho para que a Funcef tome a decisão de sair do investimento, e o fundo já teria até contratado assessores para verificar potenciais compradores. Em 2015, o valor da Funcef investido na Vale era de R$ 4,5 bilhões. Dois anos antes, o ativo valia quase R$ 8 bilhões. 

Além da Vale, a intenção é vender a participação em Belo Monte, por meio da empresa Norte Energia. Em 2015, essa participação valia cerca de R$ 600 milhões. O investimento total da Funcef foi de R$ 1 bilhão. No ano passado, uma nova chamada de capital, de cerca de R$ 130 milhões, foi feita, mas a Funcef ainda discute se fará esse aporte. 

Outra possibilidade é vender a fatia de 20% na Odebrecht Utilities, que pertence à Odebrecht Ambiental e foi vendida à canadense Brookfield, que pode ter de fazer oferta também pelas participações minoritárias. Procurada, a Brookfield não quis comentar o assunto.

Participantes querem plebiscito

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) vai propor à diretoria da Funcef, o fundo de pensão da Caixa, que faça um plebiscito entre os participantes do fundo para decidir sobre a venda da fatia na Vale.

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O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, diz que a discussão deve chegar aos participantes porque esse é um dos ativos mais importantes da Funcef e representa cerca de 9% do patrimônio total do fundo.

Mesmo com os déficits gerados pela Vale durante 2014 e 2015, a rentabilidade líquida desde 1997 ficou 81,3% acima das metas de rentabilidade da Funcef. O investimento inicial na empresa, segundo a Fenae, foi de R$ 250 milhões. Isso significa que a Vale foi um investimento altamente superavitário. "A Vale passou por momentos de baixa, mas já chegou a valer R$ 9 bilhões e os participantes receberam os benefícios dos anos de superávit", diz Ferreira.

Boa parte do déficit da Funcef vem do fato de não render dentro de suas metas estabelecidas. Quando isso acontece, os participantes precisam ratear a diferença. Foi o que aconteceu no ano passado, quando ficou definido que todos deveriam pagar em média 2,78% a mais em suas mensalidades para recompor a capacidade do fundo de honrar as aposentadorias no futuro. Em anos superavitários, o mesmo acontece, ou seja, os participantes pagam a menos, dividindo assim o lucro.

No ano passado, as ações da Vale valorizaram 127% na Bolsa de Valores. Mas não necessariamente essa valorização será registrada pelo fundo, já que sua participação não é direta e a empresa contrata firmas de avaliação que apuram o valor do investimento a cada ano.

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A Funcef é sócia da Litel, junto com os fundos de pensão da Petrobrás e do Banco do Brasil. A Litel, por sua vez, detém 49% da Valepar, que controla a Vale com 32,7% do capital. Na ValePar, além da Litel, os sócios são Bradespar, Mitsui e BNDESPar. 

Os dirigentes da Fenae também vão pedir ao fundo que esclareça como os quatro diferentes planos administrados pela Funcef serão afetados pela venda da Vale. Segundo a federação, dos quase 140 mil participantes, cerca de 90 mil fazem parte de planos que não possuem investimentos na Vale. Se o objetivo da venda do ativo for para equacionar o déficit dos últimos cinco anos, boa parte dos participantes não terá alívio.


Com informações do Estado de S.Paulo e Agência Estado.

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