Privatização da Previdência no Chile destruiu aposentadorias e paga apenas R$ 440 em média

Um dos exemplos de fracassos na Previdência Social é o Chile. Desde 1981, quando o país privatizou o sistema, as consequentes mudanças e reformas apenas aumentaram o rombo, devolvendo aos chilenos uma média do equivalente a R$ 440 mensais aos aposentados, metade do que hoje é pago no Brasil.


O sistema público fechado pela ditadura de Pinochet (1973-1990), proclamado como conquista à época pelos economistas neoliberais, fez com que a população passasse a contribuir, obrigatoriamente, ao sistema privado, denominado Administradoras de Fundos de Pensões (AFP).

Já pelo período de 2008, o resultado dessa mudança trouxe sinais devastadores ao Chile: deixou 1,2 milhão de chilenos sem cobertura da previdência, pelos altos níveis de desemprego dos anos de 1980 e 1990. As taxas cobradas pelas AFP, por outro lado, só foram crescendo, cobrando o preço da população, que já na sua hora de receber o benefício era muito abaixo do garantido pelas previdências públicas de todo o mundo.

Um fator importante é que a expectativa média dos chilenos é a maior da América Latina, chegando a 80,5 anos. Com isso, a aposentadoria aos 60 anos para as mulheres e aos 65 para os homens fez com que obtivessem, em média, um benefício de R$ 440 mensais.

A Previdência do Chile adota um modelo de capitalização individual, que rompe com a noção de solidariedade inspirador das previdências desde seus primórdios, ainda na Revolução Industrial, no Século 18. Naquele período, diversas categorias de trabalhadores, com destaque para os mineiros, começaram a constituir caixas comuns onde as contribuições dos ativos revertiam para o pagamento dos doentes e acidentados, impossibilitados de trabalhar, e onde idosos, órfãos e viúvas encontravam um mínimo de amparo.
Essas caixas também tinham capacidade de assegurar a subsistência dos trabalhadores e de suas famílias quando os salários eram suspensos em períodos de greve, o que dava às categorias uma maior capacidade de pressionar pelo atendimento de suas reivindicações e contribuiu para o fortalecimento das organizações sindicais.
Com o modelo privatizado, baseado em contas individuais, a previdência chilena só cobria 55% da força de trabalho do país, até em 2008, e pagava benefícios médios que equivaliam a uma faixa entre 30% e 40% do último salário recebido pelo trabalhador na ativa

Uma mini-reforma foi feita em 2008, pela presidente Michele Bachelet, mitigando os efeitos mais perversos da aposentadoria, mas sem reverter ou modificar o cerne do sistema privado. A medida tomada pela presidente foi conceder um benefício mínimo de 75 mil pesos, o equivalente a R$ 380, a essa grande porcentagem da população que, devido ao desemprego, ficou à mercê do sistema. 

O cenário motivou a intensificação dos protestos e manifestações pela população, incluindo sindicatos, trabalhadores, jovens estudantes e aposentados, para uma reforma ampla no país, com a gradual reversão para o investimento público. Ainda, há alguns que defendem o aporte previdenciário solidário, que, apesar de partir dos cofres públicos, tem como origem a arrecadação dos atuais contribuintes para os aposentados, como ocorre hoje no Brasil.

A proposta que está em análise prevê 5% de contribuição patronal, calculada sobre a folha de pagamentos, com cobrança implementada gradualmente ao longo de uma década. Se no Brasil de poucos meses atrás isso pareceria razoável ou até modesto, no Chile o patronato está em pé de guerra para continuar se eximindo de participar da conta com quaisquer centavos.


Fonte: Jornal GGN.

Compartilhe Google Plus

Sobre Portal ABCF

Site da Associação dos Beneficiários da Cemig Saúde e Forluz. Previdência complementar, fundo de pensão, educação financeira e plano de saúde.
    Comentários Gmail
    Comentários Facebook

0 comentários :

Postar um comentário