Planos de saúde perdem 156 mil beneficiários em apenas um mês e 910 mil em 2016

Os altos preços das mensalidades e o desemprego têm provocado evasão de usuários dos plano de saúde. De acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) somente no Rio, as operadoras perderam 76.014 clientes em julho, uma queda de 1,33% em relação a junho. Em todo país, os planos médico-hospitalares registraram 48.358.148 beneficiários no período — redução de 156,5 mil beneficiários se comparado a junho.

Quando analisado um período maior, a saída é ainda mais surpreendente. De janeiro a junho, os planos de saúde perderam 910.221 clientes.

E o alto preço cobrado é o que tem complicado a vida de usuários, que diante dos valores não veem uma alternativa no curto prazo. Roberta Andrade, gerente comercial, por exemplo, vive um dilema. Ela tem convênio médico do trabalho, que não permite a inclusão de dependentes. Seu marido e mãe estão sem assistência médica.

“Fizemos pesquisa de preço para fazer um plano de saúde, mas os valores estão muito altos, fica fora do nosso orçamento”, reclama.

O marido de Roberta, Marcio Machado, 42 anos, critica os altos preços e a carência que as operadoras exigem. “Se passar mal tenho que ir para o sistema público de saúde e amargar horas pelo atendimento porque faltam hospitais e profissionais”, relata Machado.

A família tem buscado outros planos e alternativas para driblar o custo elevado, mas, segundo eles, está muito difícil encontrar um valor que caiba no orçamento doméstico. “Agora contamos com a sorte”, diz Roberta.

A irmã dela, Fernanda de Andrade, de 42 anos, também enfrentará uma via crúcis em busca de plano de saúde que caiba no bolso em breve. “O meu plano está quase falindo e vários lugares já não atendem mais o convênio”, conta. “Os preços para a faixa etária deles (42 anos) varia entre R$ 450 e R$ 800. Um absurdo”, critica Roberta, que informou que vai continuar a pesquisar um valor mais em conta.

Alexandre Prado, consultor financeiro do Núcleo Expansão, avalia que uma boa possibilidade para quem está na mesma situação de Roberta Andrade é avaliar as opções de planos mais baratos, incluindo os com coparticipação, um mecanismo em que o segurado assume parte do valor da consulta ou do procedimento a ser feito. Participar de grupos menores, menos famosos, também é uma saída. O especialista dá dicas de como proceder para escolher uma modalidade que se encaixe no orçamento e que não deixe o usuário sem cobertura.

“É importante entender o que não está coberto, as carências envolvidas e se há custos extras para procedimentos específicos. É fundamental verificar a credibilidade do plano e o que os atuais segurados falam sobre os planos de clínicas ou pequenos grupos. Esteja atento aos critérios para reajuste do contrato e, principalmente, se o plano é registrado na ANS”, diz Prado.

Negociar pode baixar o preço

O cliente que tomou um susto com o reajuste do plano de saúde em junho — a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou em até 13,57% — tem outras alternativas para driblar esse aumento, que atingiu 8,3 milhões de beneficiários das modalidades individuais.

De acordo com o especialista em Finanças, Alexandre Prado uma das formas para economizar algum dinheiro e evitar migrar para outro plano é revisar o contrato do convênio médico.

“O cliente pode procurar a atual operadora do plano de saúde e tentar uma redução nos valores pagos ou dentro de uma mesma operadora, mudar para um plano mais barato ou passar a usar a coparticipação”, dá a dica. Se não houver negociação com operadora, o especialista orienta a mudar para outra e manter o mesmo nível de serviços.

“Algumas entidades de classe, sindicatos e conselhos costumam contratar apólices coletivas para seus membros. Dessa forma, os valores tendem a ser mais vantajosos”, diz.

Federação espera recuperação este ano

Apesar do cenário de saída dos beneficiários de seguros e planos de saúde privados, a expectativa da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as operadoras, é que antes do fim de 2016, o setor recupere as perdas de beneficiários. O segmento perdeu 1,77 milhão de clientes nos últimos 12 meses, conforme a ANS.

“Esse bem de consumo sempre foi altamente valorizado tanto pelos trabalhadores, que usufruem de um serviço essencial, quanto empregadores, por ser um benefício importante para a retenção de talentos e o aumento da produtividade”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde.

Ainda segundo ela, apesar do panorama atual, há forte expectativa quanto à recuperação da economia ainda ao longo deste ano. Isso certamente reverterá essa queda na adesão aos planos.

O setor de saúde suplementar (operadoras de planos de saúde) fechou o mês de julho com um número bem menor de clientes, segundo levantamento da ANS. A queda de 48,51 milhões para 48,35 milhões de clientes em igual mês de 2015 representa recuo de 0,32%.


Fonte: O Dia.
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