Ex-advogado de Eduardo Cunha está ligado a desvio na Petros e Postalis, diz PF

O empresário Ricardo Andrade Magro, amigo e ex-advogado do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é um dos alvos de prisão da Operação Recomeço. Deflagrada na manhã de sexta-feira pela Polícia Federal, a ação investiga desvios de pelo menos R$ 90 milhões dos fundos de pensão Petros, dos funcionários da Petrobrás, e Postalis, dos Correios, por meio de investimentos em títulos do grupo Galileo. 

Três de sete mandados de prisão temporária emitidos já foram cumpridos e o valor de R$ 1,35 bilhão de 46 envolvidos no caso - entre pessoas físicas e jurídicas -, bloqueado. 

O amigo de Cunha já havia aparecido na lista do Panama Papers. Magro comandou uma rede de offshores pela firma panamenha Mossack Fonseca, especializada em abrir empresas de fachada em paraísos fiscais. O empresário, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio, teve relacionadas a seu nome seis empresas em paraísos fiscais. 

Não deixe de assinar nossa petição contra o PLP 268/2016



O envolvimento de Magro no esquema investigado na Recomeço indica que pode haver respingo em políticos. Além de Cunha, Magro também é próximo de Marcelo Sereno, que foi chefe de gabinete de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em entrevista sobre a operação, ontem, no Rio, o delegado da Polícia Federal Tacio Muzzi afirmou que foram constatados desvios dos recursos investidos pelos fundos para pessoas físicas e jurídicas ligadas ao Galileo, mas que é prematuro dizer que houve desvio para políticos. 

Segundo o Ministério Público Federal, em dezembro de 2010, o Grupo Galileo emitiu debêntures (títulos de dívida) no valor de RS 100 milhões para captar recursos para recuperar a recém-adquirida Universidade Gama Filho, mas o dinheiro não foi aplicado na universidade. 

O atual acionista do Grupo Galileo, o pastor Adenor Gonçalves Santos, move uma ação contra os antigos sócios do grupo - Márcio André Mendes da Costa e Magro -, pedindo ressarcimento dos recursos. O desvio levou à quebra definitiva da Gama Filho e da Universidade, também mantida pelo grupo. 

Fontes envolvidas na operação confirmaram a prisão do ex-diretor financeiro do fundo Postalis Adilson Florêncio da Costa, em Brasília, de Paulo César Prado Ferreira da Gama, um dos donos da Gama Filho, e do advogado Roberto Roland Rodrigues da Silva. 

A 5.a Vara Federal Criminal do Rio autorizou também a prisão de Márcio André Mendes » Costa, de Magro, do então representante legal da Gama Filho Luiz Alfredo da Gama Botafogo Muniz e do ex-diretor do Grupo Galileo Carlos Alberto Peregrino da Silva. Todos estão sendo procurados pela PF e, caso não se apresentem, poderão ser considerados foragidos. 

A Justiça autorizou buscas e apreensões em doze endereços - um em Brasília, um em São Paulo e dez no Rio. A PF investiga os crimes de gestão fraudulenta, desvio de recursos de instituição financeira, associação criminosa e negociação de títulos sem garantia suficiente. 

Dirigentes da Petros são investigados. Procurada, a fundação informou que seguirá colaborando com as autoridades e, "caso venha a ser comprovada qualquer ilegalidade, as medidas cabíveis serão tomadas". O Postalis afirmou que sua atual gestão "tem todo o interesse de que os fatos investigados sejam esclarecidos com celeridade".


Fonte: O Estado de S.Paulo.
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