Desperdícios aumentam custos dos planos de saúde

A filha de um amigo meu passou três dias internada em um hospital privado de São Paulo. Desde o primeiro dia, os pais disseram aos funcionários que não era preciso abastecer o frigobar com bebidas adoçadas porque a menina não as consumiria. Ainda assim, diariamente o frigobar foi reabastecido, mesmo com os produtos intocados. Quando recebeu alta, o frigobar estava lotado de caixinhas de suco e achocolatados. Quem pagou por isso? Certamente o plano de saúde e, em última instância, os usuários daquele plano. 

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Uma amiga torceu o tornozelo e procurou a emergência de um hospital. O médico plantonista examinou, disse que não havia sinal de fratura, mas mesmo assim pediu um raio X "por garantia". Nada foi encontrado. Outra chegou com uma quadro clássico de sinusite e bimba: ganhou uma tomografia dos seios da face. Quem pagou por isso? O plano de saúde, e, claro, o consumidor. 


São pequenos exemplos de desperdício na saúde que todos que já vivenciaram dentro de um hospital privado. O desperdício, que chega a comer até 20% dos recursos em saúde, somado ao crescente custo dos cuidados (com novas tecnologias, envelhecimento e crescente onda de judicialização), torna essa conta cada vez mais difícil de ser fechada. 


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As pessoas esquecem que, no fim das contas, são elas que pagarão a conta, no sentido literal (com seu dinheiro) e figurado (com sua saúde, já que há riscos em exames e medicamentos desnecessários), do desperdício e da ineficiência que imperam nos sistemas de saúde. Também são elas que pagarão pela crescente judicialização do setor, já que os convênios vão repassar os custos no valor da mensalidade. 

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Especialistas em gestão em saúde costumam repetir: os hospitais prestam serviços sem saber quanto ele custa e as operadoras pagam sem saber quanto eles valem. A ladainha já é antiga: planos de saúde reclamam que os hospitais cobram muito pelos produtos/serviços usados no tratamento dos seus beneficiários. Já os hospitais argumentam que são obrigados a fazer isso porque os planos se negam a reajustar as tabelas de serviços ou não pagam atendimentos já prestados. 


Há pelo menos cinco anos planos e hospitais brasileiros discutem um novo modelo de remuneração. Um dos mais falados é o DRG (Diagnosis Related Groups) ou, em português, Grupos de Diagnósticos Relacionados. Foi originalmente desenvolvido nos EUA para classificar e agrupar pacientes de acordo com o diagnóstico, quatro clínico e consumo de bens e serviços. O modelo passou a ser utilizado como base para a remuneração dos hospitais americanos, substituindo os mais tradicional, o pagamento por serviço (fee for service), que vigora no Brasil. 

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Por Cláudia Collucci - Folha de S.Paulo. Leia o texto completo aqui.
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