Funcef defende investimentos em infraestrutura

O ex-presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), Guilherme Lacerda, defendeu investimentos de fundos de pensão em projetos de infraestrutura. Ao depor na CPI dos Fundos de Pensão, Lacerda disse que esses investimentos trazem fluxo de capital ao fundo. 

"Se um fundo não investir em linhas de energia, por exemplo, vai investir em quê? Em título público? É melhor pegar o recurso do aposentado para investir no tesouro direto", afirmou, em resposta ao deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). 




O parlamentar questionou Lacerda sobre diversos investimentos da Funcef na área de infraestrutura rodoviária e de energia. Pestana questionou ainda, entre outros pontos, sobre o aporte de recursos na Sete Brasil, empresa de investimento criada com o aval da Petrobras para explorar negócios em torno do pré-sal e que foi alvo de investigação da operação Lava Jato, da Polícia Federal. 

"A Sete Brasil foi o maior foco de perda de três fundos. São mais de R$ 3 bilhões somando a Petros (Petrobras), a Previ (Banco do Brasil) e a Funcef. Quais as determinantes de uma entrada tão pesada da Funcef na questão do pré-sal?", perguntou Pestana. 

Segundo Guilherme Lacerda, as negociações em torno da Sete Brasil começaram no fim da sua gestão, mas ele as avaliou como corretas. 

"Vários bancos estavam dando cotovelada para entrar nesse negócio. Eu pensei que os fundos alemães investem em navios. Então, se a Petrobras fez uma tomada de 120 bilhões de dólares, se tinha possibilidade de fazer exploração, se precisava da sonda, isso é coisa muito boa para fundo de pensão", defendeu o ex-presidente da Funcef. 

"Agora, se surgem absurdas coisas éticas, isso nós somos vítimas. Eu, se fosse o presidente do fundo, ia entrar na Justiça." 

Ainda em resposta a Pestana, Lacerda explicou o processo decisório de um fundo de pensão, que não pode fechar as portas a ninguém por filiação partidária.


Ex-presidente da Funcef nega prejuízos 

Em depoimento ontem à CPI dos Fundos de Pensão, o ex-presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), o fundo dos funcionários da Caixa, Guilherme Lacerda negou que tenha havido prejuízos durante sua gestão (2003-2010), apesar das dificuldades enfrentadas. Ele ressaltou ter assumido uma instituição em situação complexa, que respondia a 26 processos no Ministério Público, na Polícia Federal, na Comissão de Valores Mobiliários e no Sistema de Proteção ao Crédito (atual Previc). 

"Existiam ainda vários investimentos com riscos elevados, como em ferrovias paulistas e em telefonia. Havia uma imagem institucional negativa, desgastada, com baixíssima governança", declarou Lacerda. 


Ele contou que, ao assumir o cargo, providenciou um diagnóstico da situação. Foram feitas, de acordo com Lacerda, visitas aos órgãos fiscalizadores e houve a instalação de grupo técnico para fornecimento de informações. As medidas saneadoras incluíram a conclusão de um acordo judicial com a Caixa, que resultou no recebimento de R$ 2,7 bilhões pela Funcef. 

Entre os marcos de sua gestão, Guilherme Lacerda destacou o aumento no patrimônio da Funcef, que passou de R$ 9,7 bilhões em 2002 para R$ 44 bilhões em 2010. 


Outro destaque, segundo o ex-presidente, foi o aumento real das aposentadorias: 30% de reajuste real e 27,61% de reajuste pelo INPC, totalizando 65,89%. 


O benefício médio, que era de R$ 1.501 em 2003, passou para R$ 2.878 em 2010. "Considero ainda baixo para aquela época, mas conseguimos fazer uma recuperação", observou. 


Apesar dos argumentos de Lacerda, o deputado Marcus Vicente (PP-ES), um dos autores do requerimento da audiência, apontou um deficit de R$ 2,4 bilhões na Funcef em 2008. A isso, o ex-presidente respondeu que “2008 foi um ano atípico nos últimos 150 anos”, em referência à crise internacional. 


“Realmente houve um déficit em 2008: na Funcef e em todos. Agora, o que interessa é o conjunto. Por isso, conseguimos fazer distribuição de recursos, inclusive melhorando aposentadorias”, rebateu Lacerda. 


A reunião foi marcada por embates entre parlamentares da oposição e governistas acerca da responsabilidade do governo quer teria levado a Funcef a um deficit de mais de R$ 5 bilhões nos últimos anos – se o do PSDB ou se o do PT. 


Os oposicionistas afirmaram que a gestão de Lacerda não pode ter sido tão boa como o ex-presidente afirmou. O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), mais uma vez, chamou atenção para a aplicação de recursos da Funcef na Sete Brasil, que gerou prejuízo. “Ele [Lacerda] esteve lá por oito anos e deixou esse legado que aí está”, ironizou o líder. A Sete Brasil é uma empresa de investimento criada com o aval da Petrobras para explorar negócios do pré-sal e que foi alvo de investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 


Os parlamentares da oposição também criticaram o fato de Lacerda ser filiado ao PT. A deputada Erika Kokay (PT-DF) saiu em defesa do ex-presidente, dizendo que não se pode classificar sua gestão de desastrosa por ele pertencer ao partido. 


“Tantos negócios foram estabelecidos na Funcef no governo Fernando Henrique Cardoso e isso parece que foi esquecido. Aí se vem falar da gestão de Guilherme Lacerda. A primeira coisa feita por ele foi estabelecer auditorias, passar a Funcef a limpo”, argumentou ela. 
Para Kokay, o responsável pelo prejuízo da Funcef é o governo que “forçou os fundos de pensão a participar dos processos de privatização”, afirmou, em referência ao PSDB.


Fontes: Cenário MT e JB Online.
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