Fundos de pensão reduzem investimentos em renda variável e apostam em imóveis

Com o fraco desempenho da renda variável doméstica nos últimos três anos, as carteiras dos planos de benefícios dos fundos de pensão vêm apresentando, atualmente, baixo nível de exposição aos mercado acionário. Segundo dados da Previc, 625 planos (57,7% do total) possuem entre 0% e 10% de alocação à renda variável. Deste número, 235 planos não apresentam nenhuma alocação no mercado acionário. Entre 10% e 20% de renda variável, são 397 planos (36,7% do total) que possuem esse nível de exposição. Apenas 61 planos (5,6% do total) apresentam mais de 20% de alocação em bolsa doméstica. 




“É um cenário pouco confortável. Já são três anos em que renda variável tem retorno negativo”, diz Fábio de Sousa Coelho, diretor de assuntos atuariais, contábeis e econômicos da Previc. A redução da exposição à renda variável é explicada tanto pela falta de alocação quanto pela desvalorização das carteiras. Justamente devido a essa desvalorização, as demais carteiras dos planos de benefícios acabam ganhando maior exposição proporcional. É o caso da carteira de imóveis. “A redução do tamanho das carteiras de renda variável e direitos creditórios, por exemplo, estão provocando um aumento passivo dos imóveis”, explica Coelho. 

Por causa disso, dezenas de planos de benefícios de fundos de pensão estão próximos de ficar com as carteiras de imóveis desenquadradas passivamente. Atualmente, são 86 planos que possuem mais de 6% do patrimônio alocados em imóveis – o limite permitido pela Resolução 3792 é de no máximo 8%. Existe uma proposta em análise na Previc, que é defendida pela Abrapp, para mudar o limite no segmento de imóveis. A ideia é unificar o limite para imóveis e fundos imobiliários em um único segmento. “Estamos analisando a proposta, mas ainda não temos uma definição sobre o assunto”, revela o diretor da Previc. 

Inflação de 2 dígitos

A Previc está trabalhando com a perspectiva que a inflação atinja dois dígitos ainda em 2015, o que torna a superação das metas atuariais mais difíceis para este ano. "Se o INPC fechar em dois dígitos, teremos uma meta atuarial média de 15,65% em 2015 em um cenário econômico não muito agradável", comenta Coelho. Existe ainda um agravante que é o descolamento entre os índices de inflação. Enquanto o INPC alcançava 8,2% até setembro, o IPCA batia 7,6%. A diferença de 0,6% pode gerar maios dificuldade para se atingir a meta atuarial, pois a maioria é indexada ao INPC, enquanto o ativo está indexado do IPCA - devido às NTN-Bs.  

Fonte: Agência Investidor Online.
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