O desafio da autogestão nos fundos de pensão

Um dos principais desafios  dos administradores de qualquer plano de saúde é definir a contribuição a ser cobrada. Em um cenário de instabilidade da economia, preços crescentes e aumento do risco causado pela tendência demográfica de envelhecimento da população, fica ainda mais difícil estabelecer valores sem perder a competitividade, negligenciar o atendimento ou prejudicar o equilíbrio financeiro do sistema. Para não afastar os trabalhadores, muitos dos gestores acabam subestimando seus riscos e estabelecem custos irreais.

A questão etária não é tudo. O fato de ter um número menor de participantes também contribui para aumentar o custo da autogestão ao amplificar os riscos

No caso dos planos assistenciais de autogestão dos fundos de pensão fechados, o desafio é ainda maior, destacam consultores. Criados para oferecer cobertura a empregados de uma ou mais empresas, a determinada categoria profissional e às suas famílias, os planos de saúde de autogestão tendem a reunir grupos menores de beneficiários e a atender uma faixa etária mais elevada. A população com mais de 59 anos, classificada de idosa pela Agência Nacional de Saúde (ANS), representa cerca de 20% da população dos planos de autogestão mas apenas 5% dos planos de mercado, informa Hélio Augusto Mazza, diretor de infraestrutura da Salutis Consultoria e Administração em Saúde.



Sinistralidade maior



Os mais idosos apresentam geralmente maior risco de problemas de saúde e doenças crônicas, o que eleva os gastos dos planos. Como lembrou Wesley Crespo, sócio-diretor da Apoena Soluções em Seguros, a sinistralidade nos fundos de autogestão chega a 90%, em comparação com 80% na média geral do segmento de saúde, de 67% no setor de automóveis e de 28% no seguro de vida. E a meta dos fundos de autogestão é atender essa população até o fim da vida, diferentemente dos planos comuns, que muitas vezes estabelecem barreiras econômicas para excluir os beneficiários mais velhos.

Os planos de saúde de mercado geralmente diluem esse risco com a atração de participantes mais jovens, que oxigenam o grupo, a chamada dependência intergeracional. Nos fundos de autogestão essa estratégica fica limitada aos membros dos grupos participantes, que não são obrigados a aderir.

Parte da solução pode passar pela estratégia do resseguro, ferramenta cujo recurso depende de mudanças legais. As faixas etárias preconizadas pela ANS, que classificam de idoso quem ainda não o seria, biologicamente e do ponto de vista de capacidade de trabalho, precisam ser rediscutidas

A questão etária não é tudo. O fato de ter um número menor de participantes também contribui para aumentar o custo da autogestão ao amplificar os riscos. Estudo feito por Mazza mostra que o custo de um fundo de autogestão com 5 mil participantes é 15% maior do que de um plano com 200 mil beneficiários, com exatamente o mesmo perfil etário. Alguns desses fundos ainda têm subsídios cruzados, pois foram criados dentro do espírito socialmente elogiável de que “quem ganha mais, paga mais”.

O preço acaba sendo uma constante fonte de atrito, afirmou Mazza. Parte da solução pode passar pela estratégia do resseguro, ferramenta cujo recurso depende de mudanças legais. Mas o especialista também sugere a rediscussão de temas como as faixas etárias preconizadas pela ANS, que classificam de idoso quem, na sua opinião, ainda não o seria, biologicamente e do ponto de vista de capacidade de trabalho.

Fonte: Abrapp.
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